É muito louco como o desenvolvedor se define. Ele se diz “apaixonado por tecnologia” e esse monte de papagaiada de amar descobrir novas coisas, ter a carreira repleta de descobertas. Soa tão falso que chega a ser engraçado. Ser apaixonado por programação não te transforma em um programador. É como um pintor apaixonado por pincéis.
E naturalmente após esse clichê vem outro que já nos cansamos de tanto repetir, o de que “programador é um resolvedor de problemas”. Não que isso não seja verdade; é que é uma mera platitude. Todo trabalhador é um resolvedor de problemas. Não ser apenas um resolvedor de problemas faz um bom programador.
Uma das definições que eu gosto é a de que “o dev sênior é o júnior que não desistiu”, porque, embora também seja uma platitude, é pelo menos uma máxima que se sustenta em pé. Isso inclui tanto os devs 10x que se comunicam com as máquinas num nível espiritual quanto os mortais cuja motivação para programar são os retornos financeiros.
Desconfio de que quem diz na bio que é apaixonado por programação faz parte do mesmo grupo de pessoas que considera desenvolvimento de software um estilo de vida. Aluno da RocketSeat, blusa de moletom com capuz escrito “eat, sleep, code, repeat”, laptop lotado de adesivo de React e JS… essas coisas todas.
Tá tudo bem querer conquistar isso; apenas sejamos honestos com nossos objetivos. O cinismo me incomoda muito porque dá um pouco de pena ver tantas pessoas se auto-enganando em troca de motivação.